terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Corvo - Edgar Allan Poe

O CORVO  (tradução de Gondin da Fonseca – 1928)

Certa vez, quando, à meia- noite eu lia, débil, extenuado,
um livro antigo e singular, sobre doutrinas do passado,
meio dormindo - cabeceando - ouvi uns sons trêmulos, tais
como se leve, bem de leve, alguém batesse à minha porta.
É um visitante", murmurei, "que bate leve à minha porta.
Apenas isso, e nada mais."

Bem me recordo! Era em dezembro. Um frio atroz, ventos cortantes...
Morria a chama no fogão, pondo no chão sombras errantes.
Eu nos meus livros procurava - ansiando as horas matinais -
um meio (em vão) de amortecer fundas saudades de Lenora,
- bela adorada, a quem, no céu, os querubins chamam Lenora,
e aqui, ninguém chamará mais.

E das cortinas cor de sangue, um arfar soturno, e brando, e vago
causou-me horror nunca sentido, - horror fantastico e pressago.
Então, fiquei (para acalmar o coração de sustos tais)
a repetir: "É alguém que bate, alguém que bate à minha porta;
Algum noturno visitante, aqui batendo à minha porta;
é isso! é isso e nada mais!"

Fortalecido já por fim, brado, já perdendo a hesitação:
"Senhor! Senhora! quem sejais! Se demorei peço perdão!
Eu dormitava, fatigado, e tão baixinho me chamais,
bateis tão manso, mansamente, assim de noite à minha porta;
que não é fácil escutar. Porém só vejo, abrindo a porta,
a escuridão, e nada mais.

Perquiro a treva longamente, estarrecido, amedrontado,
sonhando sonhos que, talvez, nenhum mortal haja sonhado.
Silêncio fúnebre! Ninguém. De visitante nem sinais.
Uma palavra apenas corta a noite plácida: - "Lenora!".
Digo-a em segredo, e num murmúrio, o eco repete-me - "Lenora!"
Isto, somente - e nada mais.

Para o meu quarto eu volto enfim, sentindo n'alma estranho ardor,
e novamente ouço bater, bater com mais vigor.
"Vem da janela", presumi, "estes rumores anormais.
Mas eu depressa vou saber donde procede tal mistério.
Fica tranqüilo, coração! Perscruta, calmo, este mistério.
É o vento, o vento e nada mais!"

Eis, de repente, abro a janela, e esvoaça então, vindo de fora,
um Corvo grande, ave ancestral, dos tempos bíblicos, - d'outrora!
Sem cortesias, sem parar, batendo as asas noturnais,
ele, com ar de grão-senhor, foi, sobre a porta do meu quarto,
pousar num busto de Minerva, - e sobre a porta do meu quarto
quedou, sombrio, e nada mais.

Eu estava triste, mas sorri, vendo o meu hóspede noturno
tão gravemente repousado, hirto, solene e taciturno.
"Sem crista, embora" - ponderei -, "embora ancião dos teus iguais,
não és medroso, ó Corvo hediondo, ó filho errante de Plutão!
Que nobre nome é acaso o teu, no escuro império de Plutão?"
E o Corvo disse: "Nunca mais!"

Fiquei surpreso - pois que nunca imaginei fosse possível
ouvir de um Corvo tal resposta, embora incerta, incompreensível,
e creio bem, em tempo algum, em noite alguma, entes mortais
viram um pássaro adejar, voando por cima de uma porta,
e declarar (do alto de um busto, erguido acima de uma porta)
que se chamava "Nunca mais".

Porém o Corvo, solitário, essas palavras só murmura,
como que nelas refletindo uma alma cheia de amargura.
Depois concentra-se e nem move - inerte sobre os meus umbrais -
uma só pena. Exclamo então: "Muitos amigos me fugiram...
Tu fugiras pela manhã, como os meus sonhos me fugiram..."
Responde o Corvo: "Oh! Nunca mais!"

Pasmo, ao varar o atroz silêncio uma resposta assim tão justa,
e digo: "Certo, ele só sabe essa expressão com que me assusta.
Ouviu-a, acaso, de algum dono, a quem desgraças infernais
hajam seguido, e perseguido, até cair nesse estribilho,
até chorar as ilusões com esse lúgubre estribilho
de - "nunca mais! oh! nunca mais!".

De novo, foram-se mudando as minhas mágoas num sorriso...
Então, rodei uma poltrona, olhei o Corvo, de improviso,
e nos estofos mergulhei, formando hipóteses mentais
sobre as secretas intenções que essa medonha ave agoureira
- rude, sinistra, repulsiva e macilenta ave agoureira, -
tinha, grasnando "Nunca mais".

Mil coisas vagas pressupus... Não lhe falava, mas sentia
que me abrasava o coração o duro olhar da ave sombria.
... E assim fiquei, num devaneio, em deduções conjeturais,
minha cabeça reclinando - à luz da lâmpada fulgente
nessa almofada de veludo, em que ela, agora, - à luz fulgente -,
não mais descansa - ah! nunca mais.

Súbitamente o ar se adensou, qual se em meu quarto solitário,
anjos pousassem, balançando um invisível incensário.
"Ente infeliz" - eu exclamei. - "Deus apiedou-se dos teus ais!
Calma-te! calma-te e domina essas saudades de Lenora!
Bebe o nepente benfazejo! Olvida a imagem de Lenora!
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta!" - brado. "Anjo do mal, Ave ou demonio irreverente
que a tepestade, ou Satanás, aqui lançou tragicamente,
e que te vês, soberbo, nestes desertos areais,
nesta mansão de eterno horror! Fala! responde ao certo! Fala!
Exite bálsamo em Galaad? Existe? Fala, ó Corvo! Fala!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta!" - brado. "Anjo do mal, Ave ou demonio irreverente,
dize, por Deus, que está nos céus, dize! eu to peço humildemente,
dize a esta pobre alma sem luz, se lá nos páramos astrais,
poderá ver, um dia, ainda, a bela e cândida Lenora,
amada minha, a quem, no céu, os querubins chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Seja essa frase o nosso adeus" - grito, de pé, com aflição.
"Vai-te! Regressa à tempestade, à noite escura de Plutão!
Não deixes pluma que recorde essas palavras funerais!
Mentiste! Sai! Deixa-me só! Sai desse busto junto à porta!
Não rasgues mais meu coração! Piedade! Sai de sobre a porta!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

E não saiu! e não saiu! ainda agora se conserva
pousado, trágico e fatal, no busto branco de Minerva.
Negro demônio sonhador, seus olhos são como punhais!
Por cima, a luz, jorrando, espalha a sombra dele, que flutua...
E a alma infeliz, que me tombou dentro da sombra que flutua,
não há de erguer-se, "Nunca mais".
 
 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Promoção "Aventuras na escuridão + filme A Primeira Vista"


PARTICIPEM DA PROMOÇÃO NO BLOG: http://paulatictic-dicasdelivros.blogspot.com/

Para os fãs da arte e literatura é só ir no blog acima e seguir as instruções de como participar da promoção e concorrer ao livro Aventuras na escuridão de Tom Sullivan + o filme A Primeira Vista e boa sorte!!!

X Prêmio Literário Livraria Asabeça 2011



A Livraria Asabeça organiza anualmente o Prêmio Literário Livraria Asabeça, com o apoio da Scortecci Editora, para autores brasileiros, maiores de 18 anos, residentes no Brasil. O prêmio tem por objetivo descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira e neste ano, em especial, sua edição será comemorativa ao aniversário de 30 anos da Scortecci em 2012. O concurso será dividido em 5 (cinco) prêmios regionais: norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste. O prêmio para o vencedor de cada região será um contrato de edição e publicação de sua obra com a Scortecci Editora.

REGULAMENTO
Inscrições: até 30 de novembro de 2011.
Gênero: Poesia (Livro inédito: poesias e obra).

Ao fazer a inscrição, o Autor concorda com as regras do concurso, autorizando, inclusive, a publicação da obra selecionada pela Scortecci Editora, e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.

A Livraria Asabeça escolherá uma Comissão Julgadora, composta de três membros de renomado prestígio literário, e uma Comissão Organizadora, que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.

O candidato poderá participar com 1 (um) livro, inédito, gênero POESIA (Poesias e Obra), de 40 até 60 páginas, formato A4 (210 x 297 cm), texto digitado em Word, espaço 1,5, impresso de um só lado da folha, tamanho 12, fonte Times New Roman ou Arial.

Atenção:
1) Poesias publicadas em Blogs e Sites (menos e-books, com ISBN) são consideradas inéditas e poderão fazer parte da obra.
2) Poesias publicadas em antologias (coletâneas) perdem a condição de inéditas e não poderão fazer parte da obra.

Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto. A obra deverá ter obrigatoriamente um título. O autor poderá ou não usar pseudônimo (nome literário).

Deverá enviar junto com a obra as seguintes informações:
Nome completo
Pseudônimo (nome literário), se houver
Endereço / Cidade / Estado / CEP
DDD / Telefone
e-mail
Cópia do RG
Cópia do CPF
Cópia de comprovante de residência
Minibiografia de até 20 linhas
Atenção: O original deverá ser enviado por correio, encadernado em espiral, devendo trazer na primeira página os dados do autor conforme relação acima.

Enviar para:
X PRÊMIO LITERÁRIO LIVRARIA ASABEÇA 2011Caixa Postal 11481
São Paulo, SP
CEP 05422-970

PRÊMIOS
O vencedor de cada região será contemplado com um contrato de edição com a Scortecci Editora de 100 (cem) exemplares (sendo 50 exemplares para comercialização através da Livraria Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com até 60 (sessenta) páginas, formato 14 x 20,7 cm, miolo em preto e branco, com papel branco 75 gramas, Capa coloria com papel cartão 250 gramas, com orelhas e laminação brilhante.

A título de Direito Autoral, cada autor receberá 10% (dez por cento) sobre o preço de capa de sua obra, comercializada através da Livraria Asabeça, pelo prazo de 1 (um) ano ou até o término da edição, o que acontecer primeiro.
Cada exemplar da obra será comercializado ao preço de R$ 20,00.
Após o término do contrato, o autor poderá adquirir o saldo dos livros com desconto de 80% sobre o preço de capa. Não havendo interesse por parte do autor, os livros serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas e escolas públicas e utilizados para divulgação do próprio Prêmio Literário Livraria Asabeça.

OBSERVAÇÕES
- Os originais não serão devolvidos.
- Os autores vencedores autorizam o uso e veiculação de seu nome e obra pela Livraria Asabeça / Scortecci Editora para fins de divulgação, veiculação e comercialização.
 - O resultado do X Prêmio Literário Livraria Asabeça 2011 dar-se-á em fevereiro de 2012 e será publicado oficialmente no Portal Concursos e Prêmios Literários e nos demais sites do Grupo Editorial Scortecci.
- Os autores vencedores deverão entregar à Scortecci Editora o arquivo digital da obra rigorosamente igual ao selecionado pela comissão julgadora.
- É vetada a participação de autores que já tenham recebido prêmio de publicação ou menção honrosa nos concursos: Asabeça e UBE-SP.

CRONOGRAMA
- Inscrições: até 30 de novembro de 2011.
- Divulgação dos vencedores: fevereiro de 2012.
- Lançamento das obras: 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2012, no estande da Scortecci, durante o evento festivo de 30 anos da editora.

MAIS INFORMAÇÕES
asabeca2011@concursosliterarios.com.br
Telefones: (11) 3031.3956 ou (11) 3815.1177

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A PESQUISA NA FORMAÇÃO DO EDUCADOR


Toda formação profissional que prepara para o exercício de um oficio gera problemas complexos, particularmente quando essa formação visa a um ofício voltado para o humano, como o ensino. As relações entre pesquisa e formação foram e continuam sendo objeto de debates; enfatizaremos a compreensão da pesquisa como atitude inerente à formação e prática docente.
A pesquisa é essencial à prática docente, pois o professor que assume a postura de pesquisador compromete-se com a elaboração própria, com o questionamento, com a emancipação política, com a formação da cidadania, com a criatividade, com a descoberta e com a redescoberta.
Somente o professor pesquisador possuí condições necessárias para transmitir algo via ensino, pois ele ao questionar, ao se desacomodar, estará em constante estado de preparação.
Nesse sentido, a pesquisa precisa ser compreendida como uma necessidade e como um dos maiores e mais importantes desafios para uma educação de qualidade.
A pesquisa tem como condição essencial que o profissional da educação seja investigador, ou seja, maneje a pesquisa como um principio cientifico e educativo sendo este o seu procedimento cotidiano. Assim, a pesquisa precisa ser contemplada como definição inerente à prática pedagógica. Bons resultados foram atingidos, por meio da realização de pesquisa, por exemplo: considerando as teorias direcionadas à área de educação, foi também possível e construtiva a troca de experiência a discussão sobre as teorias, sobre as práticas docentes e sobre como relacionar de maneira satisfatória a teoria e a prática na construção, enquanto educadores, visando o aprimoramento no ato de educar, aprender, pesquisar e construir. Dessa maneira, a pesquisa deve ser assumida como uma atitude processual cotidiana inerente a toda prática que deseja de fato modernizar-se e aperfeiçoar-se, pois quem assume uma atitude de pesquisa, está em constante estado de preparação. Três aspectos são fundamentais para se garantir um educador que reflete em suas ações: O primeiro diz respeito à aquisição de uma bagagem cultural com compreensão política e social. O segundo que em sua formação o educador possa ampliar a capacidade de reflexão crítica sobre a prática; e o terceiro que este educador construa e reconstrua uma postura de entrelaçamento entre o pensar e o agir pedagógico. É na reflexão e ação que o professor toma como dimensão o ser reflexivo. O educador deve voltar o olhar com sentido e significado naquilo que irá favorecer a si mesmo ampliando suas hipóteses, criando outras e dar respostas para novas situações. Para que a formação do educador se efetive em uma prática – reflexiva sua formação deve estar atrelada ao processo de indagação, de descobertas, isto é, produção de um ato em movimento que possua um sentido e um significado para a investigação. O educador em sua formação tem que se constituir de um saber-fazer com a dimensionalidade de seu papel político e assim, contribuir em sua prática educativa para a formação de sujeitos com compreensão da realidade em que vive e que deverá atuar e modificar socialmente. O professor deve estar sempre em atitude de busca, em atitude de esvaziamento interior, essa atitude de busca, de abertura, esse interrogar a realidade de cada dia, é viver um permanente e rico processo educativo. O professor não é alguém que apenas domina certas habilidades e afazeres predeterminados à sua profissão.
Ser professor exige necessáriamente, assumir uma forma de continuar avançando em conhecimentos, pois essa atividade obriga a pensar permanentemente, questionar, indagar, reconstruir, isto é, tornar-se pesquisador para produzir conhecimentos.
A formação qualificada do professor tem a ver com a consciência do próprio educador do seu papel de mediador para construção do conhecimento do educando. Refletindo sobre as suas práticas educativas, em sala de aula, nas quais esse educador precisa atentar a existência de diferentes intencionalidades educativas nas ações pedagógicas de quem educa.
O professor não deve afastar-se do perfil de ser pensante, pesquisador, de ações políticas e pedagógicas, produtor de reflexões constantes sobre os seus valores e práticas cotidianas, para isto é necessária à consciência e humildade que também ele, não só o aluno, deve estar disposto “a aprender a aprender” sempre.
Sabemos que o professor precisa seguir as normas do sistema educacional, quase sempre tradicional, mas ele tem autonomia em sala de aula, por isso, sua metodologia de ensino, sua prática educativa, é que fará a diferença e esta tem que ter qualidade.
Contudo, por ser o professor o mediador do processo de aprendizagem, este não pode desprezar as experiências de vida e os conhecimentos trazidos pelos alunos, pois este deve ser o ponto de partida para motivar e transformar a realidade, para que ocorram mudanças e avanços, a fim de que haja integração na sociedade letrada.



 Referências: CRUZ, Gisele Barreto da. Pesquisa e Formação de Docentes: Apontamentos Teóricos.

                                                                                                                                                            
 

OS 10 MAIORES ERROS DE AUTORES INICIANTES